Aquele submarino que descia rapidamente levava minhas últimas lembranças. Cortaram as raízes antes das folhas. Cortaram meus membros antes dos gritos. E toda aquela tarde com cheiro de limão cortado e roupa passada criteriosamente se tornou lodo. Minhas glórias são imperdoáveis. Sei que os dados caíam sempre com os mesmos números em suas laterais milimetricamente medidas. Mas agora o submarino se foi.
De todas as angústias de antes, me sobrou uma especialmente azeda, a do adeus que agora ganha gosto definitivo. De tantos gestos compassados que eu havia decorado um me fugiu da memória, aquele gesto de passar a mão ao longo do cabelo no assalto da dúvida. De tantas dívidas, todas ainda estão pendentes e cheirando a esgoto. Eu nunca soube afiar bem as facas. Era você que sabia antes de partir naquele submarino.
Mas ficaram ainda desculpas afiadas que não foram ditas. Todas as outras se perderam no mar salobro. Aos poucos fui aprendendo que a vida não traz mensagens em ordem crescente. Que as emoções não são cardinais. Que o zero significa muito. Aos poucos aprendi as artes cuteleiras, enquanto você dormia feito anjo sujo, sonhando com seus submarinos. Enquanto engolia minhas emoções. Enquanto você me engolia. Enquanto a faca ainda mal afiada destroçava o limão que empesteava nossas almas mal lavadas.
De tudo restou meu olhar fixo no submarino descendo. Eu precisava ter certeza da sua partida. Eu precisava dentro de mim do alívio das águas vertidas definitivamente. Não nasci para ciclos, nem para teorias sábias ou conselhos de algodão. Seu submarino leve desceu centímetros rasos. Acompanhei até o fim. Enquanto você repousava sua cabeça angulosa sórdida de navegante desentendido eu aprendia as artes cuteleiras. Agora as tardes não cheiram mais a limão cortado e roupa criteriosamente passada. Agora tudo é lodo. Porque a partida do submarino foi severa. No fim das contas me engoliu, me assaltou com clorofórmio nas narinas.
O zero se tornou tudo. Ainda com as cartas na mão espero o lance de dados milimétricos. Não sei mais se faz diferença saber arte cuteleira. O corte foi tão agudo. O peso se foi com as águas vertidas. A partida do submarino é tão fúnebre. Fui vestida de verde, depois de afiar tantas e tantas outras facas. Tenho cheiro de limão nas narinas. Meu azar é sempre me atrelar a navegadores destemperados. O submarino se foi para sempre em meio a uma tarde ensolarada e cheia de corvos.
De todas as angústias de antes, me sobrou uma especialmente azeda, a do adeus que agora ganha gosto definitivo. De tantos gestos compassados que eu havia decorado um me fugiu da memória, aquele gesto de passar a mão ao longo do cabelo no assalto da dúvida. De tantas dívidas, todas ainda estão pendentes e cheirando a esgoto. Eu nunca soube afiar bem as facas. Era você que sabia antes de partir naquele submarino.
Mas ficaram ainda desculpas afiadas que não foram ditas. Todas as outras se perderam no mar salobro. Aos poucos fui aprendendo que a vida não traz mensagens em ordem crescente. Que as emoções não são cardinais. Que o zero significa muito. Aos poucos aprendi as artes cuteleiras, enquanto você dormia feito anjo sujo, sonhando com seus submarinos. Enquanto engolia minhas emoções. Enquanto você me engolia. Enquanto a faca ainda mal afiada destroçava o limão que empesteava nossas almas mal lavadas.
De tudo restou meu olhar fixo no submarino descendo. Eu precisava ter certeza da sua partida. Eu precisava dentro de mim do alívio das águas vertidas definitivamente. Não nasci para ciclos, nem para teorias sábias ou conselhos de algodão. Seu submarino leve desceu centímetros rasos. Acompanhei até o fim. Enquanto você repousava sua cabeça angulosa sórdida de navegante desentendido eu aprendia as artes cuteleiras. Agora as tardes não cheiram mais a limão cortado e roupa criteriosamente passada. Agora tudo é lodo. Porque a partida do submarino foi severa. No fim das contas me engoliu, me assaltou com clorofórmio nas narinas.
O zero se tornou tudo. Ainda com as cartas na mão espero o lance de dados milimétricos. Não sei mais se faz diferença saber arte cuteleira. O corte foi tão agudo. O peso se foi com as águas vertidas. A partida do submarino é tão fúnebre. Fui vestida de verde, depois de afiar tantas e tantas outras facas. Tenho cheiro de limão nas narinas. Meu azar é sempre me atrelar a navegadores destemperados. O submarino se foi para sempre em meio a uma tarde ensolarada e cheia de corvos.
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