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Emplastragem

Eu abri minhas veias
Para te acolher
Eu abri meu coração
Para me obscurecer
Eu abri minha mente
Para estarrecer
O pó que permanece
No ar
Na janela do outro lado
Eu abri minha visão
Pequenos pontos
Grandes encontros
Eu vi passar
A quilômetros
A ferro
A fogo
Vaidades de popeline
Apertos em vitrines
O tempo em cabides
Eu abri minha boca
Para a gota
De euforia
Que ainda havia
Debaixo daquela névoa
Sempre só eu fico
Adivinhando minhas nervuras
Sob este abajur
Cor de pastel de vento.

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