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As flores azuis no moinho

Comia as flores azuis do jardim
Rodopiava com os ventos do leste
Eram faltas enormes
Era ruim não ter as frutas do tempo
Mastigava as folhas e cumpria o ritmo
Nuvens que passavam trêmulas
Sinos que tocavam todos os dias
A mesma onda assustadora que invadia
Todos os cantos do moinho
As pás giravam
Com os ventos rodopiantes do leste
As folhas caíam para ser mastigadas
A lama pisada apontava os rastros
As mesmas folhas esperavam o sol partir
Flores azuis de frio, de cegueira, de decepção
Ondas lavaram os moinhos
Sinos tocaram canções do leste
A primavera do alto é mais soturna
Netuno zangou-se demasiadamente
O jardim estava vazio e as vozes sumiram
As nuvens se estacionaram sobre o calor
Distante, muito distante dali
Era hora de regressar
Flores azuis ao oeste
Girando nas pás incansáveis dos gigantes comedores de vento.

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