Depois que a cartomante disse que ela teria um dia ruim pela frente, marcado por um encontro inesperado e terrível, não foi mais a mesma. Odiava as cartas de espadas. Sempre havia tensão, rompimento e ódio atrás de cada uma delas. Já estava arrependida de ter ido à dona Ivetina. A cabeça latejava e as mãos suavam. Queria ter visto mais o naipe de copas, com seus encontros, compromissos, novas relações de amor ou amizade... Mas em quase todo o jogo, estava lá a porcaria das cartas sombrias de espadas. A cada esquina, um solavanco no peito; a cada semáforo, uma fisgada na têmpora; em cada buzina que ouvia, sentia o calafrio do atropelamento, da vida se esvaindo mansa, como uma chaleira que esfria. Sentia os pés flutuando sobre o asfalto. O corpo dormente ansiava pelo pior. A cartomante era experiente, com suas cartas encardidas e meio amassadas. Muito uso diante de quem quer dominar o destino. Sempre ouvia coisas bonitas e férteis - novos projetos e estudos quando paus aparecia ou um di...
O improvável sorri com dentes de hiena. Bem-vindo(a).