Dona Esmeraldina ligou pra mim às quatro da tarde. O assunto era urgente, sobre uma sobrinha que a destratara pelo telefone, horas antes, só porque ela se recusou a ajudá-la financeiramente em um empréstimo bancário. Moro na mesma rua de Dona Esmeraldina e a conheço há mais ou menos um ano. Não é muito tempo, mas sempre conversamos desde que mudei para perto dela, moradora da região há mais de vinte anos. Era a segunda vez que Dona Esmeraldina me ligava. Morava sozinha, viúva e sem filhos. Tinha cinco sobrinhos adultos, que volta e meia a infernizavam, quase sempre sobre dinheiro. Ela podia ter ligado para diversos outros moradores da rua, vizinhos antigos, mas acabou ligando pra mim, no meu dia de folga, para desabafar assuntos familiares. Eu, com cara de boazinha, devo ter despertado a confiança de Dona Esmeraldina. Atravessei a rua e toquei a campainha da casa às 16h17. Não demorou muito e ela atendeu. Nunca havia entrado em sua casa. Nossas conversas eram no portão ou pela janela...
O improvável sorri com dentes de hiena. Bem-vindo(a).