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Maravilha

Subindo a rua tem a igreja E uma casa com cacto nopal Às vezes com flores Cor de maravilha A muitos passos de casa Observação da torre de tv à esquerda, bem longe Da casa em reforma interminável, à direita, bem perto A chave já na mão Chegada Porta adentro Esgotada Na poltrona de chenille escarlate Imagino como um nopal combinaria Com minha luminária apagada E com minhas culpas espetadinhas cor de maravilha.

Na casa de Santos Dumont

    É outono. 28 de março de 2015. As quaresmeiras começam a surgir às margens da estrada asfaltada. Solitárias ou em grupo, mostram a cor arroxeada das flores. Pontilham o verde variado da mata, como uma pintura impressionista. Depois de alguns quilômetros, chego à casa onde nasceu Alberto Santos Dumont. Da cancela de entrada, avista-se a casa, não muito grande, mas imponente, com ares típicos das Minas Gerais. Ar puro inconfundível.    À esquerda, um lago com águas turvas e trêmulas revela ao fundo uma carpa negra, solitária. A poucos passos, a casa-museu. Já perdi as contas de quantas vezes a visitei desde a minha infância. Entro e ninguém me recebe. Cômodos não muito amplos e móveis necessários. Na minha frente, uma lareira construída em 1919 está adornada por dois bustos do inventor. Um feito em bronze, de autoria de Colim George (1902) e outro em gesso, de Laffourrie (1967). Em bronze, Santos Dumont revela um olhar mais altivo e confiante. No outro, aparent...

Cálice de copas, fecha-se um tempo

De toda essa água imensa Não provada Não teve gota nem melaço Para purificar minha boca De cara mal lavada Alma agachada Enfrentei versos e caravelas Afogados na levada Promessas e desentendimentos Surpreendida pela maré Lua nova morta Mar que não lava-pés Diante do altar do ego Prostrada em delirium ad infinitum Com a gota e um mosquito Pacto de nada, larva e micterismo Saio de meses Entro novo ano Pela dor sou nova nem lua De fogos explosivos Cara dura coração murcho Espero luz extrema Depois alguns tropeços Luto, luxo, recompensa Recomeça como roda Gira fortuna um enforcado Ás de espada em janeiro intenso Brilho de asa cortada De toda essa água Não provada Cálice de copas de ouro denso Reprovo-me em pedras guardadas Reprovo-me em lágrimas que bebo e tento

Casa 5

De quem foi A fachada Com três janelas Uma porta muda Venezianas descascadas Ao lado de um rio Só Com água barrenta E fétida Como a dos canais italianos De quem foi a casa 5 Hoje muda Amanhã ainda viva Diante dos motores Da contemporaneidade.

Tarô e domingo

A aurora é cortada Pelos pássaros que madrugam Assim como A carta da temperança é cortada Pela carta da estrela Com sua caixa de pandora Cheia de esperança e males Não se deve mexer com o futuro Quando o presente é Somente Uma aurora cortada pelos pássaros que madrugam.

Oficina de escrita no Sesc Santos Dumont-MG - Poemas!

   Em 11 de novembro deste ano, aconteceu na unidade do Sesc, na cidade onde moro, uma oficina apresentada por mim chamada "Rimando ou não, com Florbela, Gullar e Leminski", com uma parte prática que rendeu muitos poemas! Os alunos aqui em destaque são Marcela Ribeiro, Selma Carvalho e Vinícius Sant'anna. Seus escritos falam sobre o que pensam e sentem; podem ou não ter rima ou título. A manhã de sábado ficou contagiada pela poesia e aqui, em meu blog pessoal, transmito os resultados. Dois poemas tiveram minha participação. Boa leitura! Sorriso estridente na minha alma Exatidão de momento não cria futuro A angústia não dita, vivida e sofrida A solução poderia estar tão próxima Por que sorrir? O que faz isto dentro de mim? Ansiosa pelos segredos que não quero descobrir Alegro-me com tão pouco, porém, este pouco me faz falta Sempre esperamos por respostas que não chegam Sorrir, sorrir, sorrir, é o que devo Cupido maldito: o que foi que eu te pergunte...

Besouros

Em um conhecido e movimentado museu, de uma cidade do interior, acessávamos os banheiros por uma escada feita com velhos dormentes de trilhos de trem. A madeira já um pouco gasta, o ânimo já um pouco escasso, mas era só uma ida ao banheiro e o passeio chegava ao fim. Abro a porta azul royal e um cheiro forte de naftalina invade minhas narinas. Temo uma dor de cabeça. Acendo a luz. Visualizo três bolinhas do produto mortal aos insetos sobre o suporte de papel toalha. Sempre associei naftalinas a baratas, nojentas e inconvenientes. Mas o que baratas fariam em um museu tão distante do centro da cidade? Sempre associei baratas com restos de comida. E nem lanchonete havia no lugar. Fecho a porta em frente ao sanitário que escolhi, meio às pressas, para fugir daquele cheiro nauseante. Ao olhar para o chão, um besouro enorme e cascudo está com as patas para cima. Nadava em vão no ar, com as patinhas em movimentos dementes. Lembrei-me de um conto de Julio Cortázar, em que o personagem que mo...