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A burra de Copacabana

Na janela, fumando o décimo terceiro cigarro do dia, ela pensa sem parar nele. Gastando o batom em cada binga, e não nos beijos imaginados. Como pôde se apaixonar e levar aquilo tudo tão a sério? Como não teve a coragem de dar um basta antes de levar aquele fora tão categórico? Como deixou a situação chegar a uma encruzilhada onde ela era o frango assado a ser esquecido debaixo da chuva?
Sofrendo de solidão aguda e orgulho em chagas, ela acendeu o décimo quarto cigarro. Ele se foi na noite anterior sem dar explicações, sem dizer o nome da outra, sem dizer que o problema era dinheiro, sem dizer que o problema era trabalho e sem dizer que o problema era ela. Ainda passou pela cozinha e roubou a última caixa de fósforos.
Logo hoje ela está sem ele. Logo hoje que ela confessaria a sua paixão que surgiu assim tão inusitada. Logo hoje que ela usaria a lingerie especial que tinha comprado, logo hoje que tinha prometido largar o cigarro e logo hoje que pensaria mais em casamento e sair daquele buraco alugado infernal.
Ele tinha que estragar tudo! Coitada dela! Não era moça de família, mas podia se redimir aos pés de um grande amor como em novela das oito.
Sozinha acende o décimo quinto cigarro e pensa no que fará no dia seguinte. Pensa no que ele deve estar fazendo naquele exato momento. De repente toca o celular. Ela atende e esboça um sorriso. Retoca o batom vermelho e a sombra prata. Pega uns trocados e sai para conferir o movimento da esquina.

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