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Aquarela imaginária

Em meio a um  céu acinzentado
Levo uma aquarela brilhante
Sei que a pintura me será negada
Mas enganarei o porteiro
Com minha fantasia de fada
Toda bordada e drapejada

Começarei descolorindo tudo
Depois colocarei pontos luminosos
Para dar charme
Colocarei vermelho-chama
Chamarei gaivotas para a estampa
Minha paleta é vasta
E minha visão nefasta
Pedirá ausência
Para correr os pincéis
Em tons fortes
Não me contento com pastéis

Quero luz, força, vida
Quero a obra coroada em cavalete
Óleo de linhaça
E minha visão devassa
Pedirá ausência
Findado, organizarei tudo em alforje
Olharei crítica bem de longe
Deitada na minha rede
Meu ponto de fuga.

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