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Maça do amor (diário de uma apaixonada)

No dia 1° você me encontrou no parque, perguntou qual era o meu nome e pagou para mim uma maça do amor coberta de confeitos coloridos. Só comi a parte caramelada e me apaixonei perdidamente por você. Fomos tão felizes, fizemos tantos passeios, foram tantos beijos e outras coisinhas mais... Mas, no dia 15 você apareceu estranho. Veio com um papo que eu merecia coisa melhor, que suas declarações de amor não corresponderam à realidade e que você me queria como amiga. No dia 16 nem consegui levantar da cama de tanta dor de cabeça, coração partido e mal estar de estômago. Dor de amor é doida, pior que picada de zangão. Não há gelo ou rodela de cebola que cure. No dia 18 minha melhor amiga veio me visitar. Disse aquelas coisas que todo mundo diz, achando que a gente já não pensou em tudo por conta própria. Encheu meu dia de obviedades, mas tudo bem. As horas passaram depressa e chegou o sabádo, dia 21. Fiz uma linda produção no cabeleireiro e fui à luta. Porém, o sábado não foi incrível e ninguém me ofereceu maça do amor. No dia 24 a lembrança dele ainda martelava na minha cabeça e me segurei para não ligar para o seu celular. Mas no dia seguinte, 25, não deu. Liguei. Como amiga, ora bolas! Ele me tratou muito bem e não disse nada sobre outra namorada. Tive a sensação que ele gostou de eu ter ligado. Falamos como íntimos, como namorados... Dia 28 prometia com a festa na boate Condessa. Todas minhas amigas estariam lá, e quem sabe ele também. À meia luz a história sempre muda de capítulo. Ok, ele não foi, mas tomei uns goles legais. No dia 30, que decepção. Eu o vi com outra atravessando a rua de mãos dadas. Morri estatelada no abismo que abriu debaixo de minhas sandálias. Fui para a casa chorando e no dia 1° do outro mês ainda tinha os olhos vermelhos, cheia de memórias do dia 1° do mês anterior. Dor de amor quando chega sempre puxa uma cadeira e senta, toda posuda com chicote na mão. Dia 3 saí para telefonar no orelhão da esquina. À espera da chamada, passou um homem lindo me olhando, com aquele olhar de caçador. Era para mim aquele olhar. Quem sabe agora a dor de amor não se curaria com outro amor? Porque você sabe, ainda estamos no início do ano, e dor de amor tem data para acabar. Ou é 31 de setembro ou é 31 de novembro. E eu não vou esperar nem um dia a mais.

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