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Breve confissão de Iracema

Ok, hoje fingirei que sou sua. Direi vários "eu te amo" com cara de dor, porque amar é sentir dor. Em todo o corpo, atravessando o umbigo e fazendo cócegas na alma. Sairei com você para qualquer lugar, mesmo se for aquele de sempre, para tomar o que você pede sempre e ouvir o que você fala sempre. Essa rotina sedutora é o que me faz viva hoje ao estar ao seu lado.
Pedirei a você que vá com calma, que dirija com cautela e que tire a mão do meu joelho. Ora, é justamente o meu charme de femme très difficile que te prende na minha teia há anos. Com a cara cheia de gim tônica vai ser mais fácil passar pelo balé da sedução, virar para o lado e esperar a aurora do dia. Submeto-me à você porque sem você já não sei o que resta de mim. Porque com essa rotina passada a ferro de olhos fechados me tornei freira enclausurada. Sou casta no mundo e mundana em suas mãos. Se eu negasse o seu convite não dormiria essa noite. Aceitando o seu convite me sinto viva por esta noite. Não alcanço a tampa do vidro e se alcançasse não saberia abri-la de dentro para fora.
Hoje eu finjo que me vendo e você finge que me paga. E eu saio desta história mais uma vez sem nenhum tostão furado. Na próxima prometo não exagerar no gim e pintar as unhas dos pés do jeito que você gosta.

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