Eles se sentaram à mesa para saborear o café feito por Amaro. Ele era experto na arte cafeeira. Seu velho amigo de infância Olavo não o visitava há seis anos, e não havia ocasião mais propícia para servir o que ele sabia fazer de melhor. Café puro, sem acompanhamentos. Amaro gostava de ver a reação das pessoas ao saborear sua arte e esperar pelos elogios cheios de confetes.
Amaro foi o primeiro a dar a golada. Olavo o acompanhou e de cara queimou a língua. Disfarçou a raiva que ferveu por dentro e descansou a pequena xícara sobre a mesa. Amaro ansiou por reações do amigo. E nada. Voltaram aos assuntos comezinhos, sem ser o café campeão de Amaro o centro das atenções. Estratégia de Olavo para o líquido esfriar. Enquanto Amaro levou o café novamente à boca cheio de pose degustadora, Olavo por sua vez sorveu tudo em um só gole, bateu a xícara no pires, puxou a cadeira e bateu em retirada.
Depois das despedidas e da porta fechada, restou a Amaro as mais profundas reflexões e indagações. Como pôde Olavo ter tomado o seu café e não ter dito nada, uma palavra de agrado, ou mesmo uma cara feia por não ter gostado? Porque pior do que dizer que não gostou é fazer cara de fantoche e não dizer nada. O que saiu errado desta vez, se é que já houve vez em que algo saiu errado? Provou o café novamente repetindo a dose em sua xícara suja. Soprou a quentura e observou se estava amargo, se estava muito doce, se estava ralo, se estava forte. Tudo estava como sempre, de acordo com a receita que ele havia aprendido com a mãe há quarenta anos atrás. A cabeça de Amaro fervia como água quente na chaleira.
A cabeça de Olavo também fervilhava como água quente na chaleira. Ora, mas que situação. Amaro tinha que servir café já quase na hora de ir embora? Que constrangimento! Pobre do homem! Olavo chegou à conclusão que sair de casa para visitar amigos com aquela úlcera teimosa já não era mais um bom negócio.
Amaro foi o primeiro a dar a golada. Olavo o acompanhou e de cara queimou a língua. Disfarçou a raiva que ferveu por dentro e descansou a pequena xícara sobre a mesa. Amaro ansiou por reações do amigo. E nada. Voltaram aos assuntos comezinhos, sem ser o café campeão de Amaro o centro das atenções. Estratégia de Olavo para o líquido esfriar. Enquanto Amaro levou o café novamente à boca cheio de pose degustadora, Olavo por sua vez sorveu tudo em um só gole, bateu a xícara no pires, puxou a cadeira e bateu em retirada.
Depois das despedidas e da porta fechada, restou a Amaro as mais profundas reflexões e indagações. Como pôde Olavo ter tomado o seu café e não ter dito nada, uma palavra de agrado, ou mesmo uma cara feia por não ter gostado? Porque pior do que dizer que não gostou é fazer cara de fantoche e não dizer nada. O que saiu errado desta vez, se é que já houve vez em que algo saiu errado? Provou o café novamente repetindo a dose em sua xícara suja. Soprou a quentura e observou se estava amargo, se estava muito doce, se estava ralo, se estava forte. Tudo estava como sempre, de acordo com a receita que ele havia aprendido com a mãe há quarenta anos atrás. A cabeça de Amaro fervia como água quente na chaleira.
A cabeça de Olavo também fervilhava como água quente na chaleira. Ora, mas que situação. Amaro tinha que servir café já quase na hora de ir embora? Que constrangimento! Pobre do homem! Olavo chegou à conclusão que sair de casa para visitar amigos com aquela úlcera teimosa já não era mais um bom negócio.
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