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O amor não usa rosa choque

Do alto do seu sapato rosa choque, vê as cinzas do cigarro cairem. Vê as cinzas da vida cairem. Em seu coração de manteiga vencida já não cabe mais ninguém. Hoje não quer se entregar em tratos repentinos e mal pagos.
Quer ficar parada, quietinha, olhando de longe a porta da jaula trancada. Mas que preguiça, que vida de guerra e vida trançadas que amedronta, e volta a ver as cinzas, parada, bem quieta. Sua atitute foi visitar o tédio, ovelha negra da família. Pior que ser ovelha negra é ser ovelha nua que não pode agasalhar a mais ninguém.
Parada, bem quieta, sentindo o morno da noite, como em febre e dor de garganta, sem dizer nada. Fingindo que trabalha, finge que é folga. E continua olhando de longe a saída da gaiola.
O amor não usa rosa choque.

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